15 February 2008

"Believe or not, I believe that"

Gilberto Gil, 15/02/2008




Ele é incrivelmente carismático, especialmente quando sorri. E falou em ingles/francês para uma platéia cheia por duas horas. Em alguns momentos, ele parecia aquele Gil do filminho do youtube, titubeante, viajante, os óculos frouxos caindo o tempo todo, a maior parte da reflexão perdida na busca inútil de palavras que nunca iriam dar conta do tamanho da idéia que nunca se completava. E então ele se empolgava, deslanchava, e era o visionário, com olhos brilhando cheios de certeza. E na certeza, ele fluía. A certeza de um futuro em que a cultura ocupa o espaço que lhe cabe, tão grande quanto o da economia. A certeza de que os seus "Pontos de Cultura" vão dar voz e espaço para grupos culturais do Brasil todo. Ambíguo, como todo ser humano.

No final, ele pegou o violão e cantou, para delírio da audiência. Sua primeira canção?


"Andar com fé eu vou
Que a fé não costuma falhar...

Eu fiquei pensando que queria ter feito uma pergunta:

"Gil, você é um visionário. Aos visionários falta chão? Como a gente faz pra acreditar em você, se você parece sempre falar de um lugar meio etéreo? A gente não quer só diversão e arte, a gente também quer comida!"

Em outras palavras: Não sei mais acreditar. Me ensina?

Virei o personagem do Denys Arcan no "L'Âge de Ténèbres": abri mão do passado e do futuro ao mesmo tempo, e vivo cada dia com os pés no chão (chão= aquela coisa que costuma existir embaixo dessa montanha de neve. Até pra acreditar no chão anda sendo preciso ter fé!). E bem neste momento vou lá, ouvir esse sujeito que acredita na inclusão digital. Na democracia do cyber espaço. No compartilhamento dos bens que segundo ele, não são públicos nem privados: são comuns. O compartilhamento fraterno dos bens comuns. Acreditem ou não, ele acredita nestas coisas.

E eu acredito nele.


|

0 Old Comments: